Valente: Jodie Foster em um drama que emociona
Umas das figuras mais conhecidas do cinema hollywoodiano, Jodie Foster criou moral entre seu meio para fazer o que quer e quando quer. Ela tem tanto poder sobre o seu nariz que não a vemos em filmes popularmente apelidados “meia boca”, que com certeza não é o caso do seu última longa metragem, Valente (The Brave One, 2007, Warner, Neil Jordan).
Ericka (Jodie Foster) era uma radialista conhecida e apaixonada por Nova York. Nas vésperas do casamento, vai passear com o namorado e o cachorro no Central Park e sofre um atentado violento, resultando na morte do noivo e sérios ferimentos. Após acordar do trauma, descobre que há dias o noivo foi enterrado e tem sua percepção sobre o espaço que a cerca alterados drasticamente.
Até o narrado acima, o enredo não passa de um triller policial. Mas o roteiro traz algo denso e instigante, com a transformação de Ericka de uma simples cidadã novaiorquina em uma assassina serial que ganha a piedade do investigador de seu caso. É uma luta pela superação interior e liberação dos medos internos, de forma terna e rítmica, sem apelo visual para sangue e violência.
A fotografia do filme é digna de aplausos. Claro, nada sobrenatural que nenhum filme tenha usado antes, mas bem encaixados. Para fazer o expectador entrar no mundo da personagem, uma fotografia impressionista caiu muito bem, diga-se de passagem, de alta categoria. Sons ressaltados para transmitir tensão, imagens turvas e sombras como possíveis ameaças. As imagens angustiantes e algumas técnicas de câmera em movimento poderiam parecer excessivas (e em alguns momentos são, como na perseguição final), mas cumprem seu papel de embarcar a platéia no drama da personagem.
A atuação espetacular de Jodie Foster só não é superada pelas escolhas de Neil Jordan nas imagens. A poética com o jogo de cenas iniciais da personagem na mesa de atendimento médico com cenas com as imagens de sexo com seu namorado mostra sensibilidade peculiar. Ela não era alguém que simplesmente tomou gosto para matar, mas uma mulher indefesa encontrando a saída para os temores internos.
A evolução psicológica aliada ao figurino também foi um acerto para o filme. A personagem deixa de ser uma mulher delicada de vestido branco para jaquetas pretas, calça e casaco, além dos óculos escuros, típicos do mistério cinematográfico. O mesmo acerto não se pode falar na trila sonora. É impressão ou a música lembra “Instinto Selvagem 2”?
A valentia não fica com Jodie Foster, o cara da fotografia, mas com o Neil Jordan, diretor que soube escolher uma equipe perfeita e criou um ótimo resultado. Pena os americanos não terem gostado. A bilheteria foi um fracasso no país norte-americano e só chegou em DVD no Brasil. A arrecadação ainda não cobriu seus gastos, mas já chegou a 50 milhões.
Ficha Técnica
Título Original: The Brave One
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 119 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Austrália): 2007
Site Oficial: wwws.br.warnerbros.com/thebraveone
Estúdio: Village Roadshow Pictures / Silver Pictures / Redemption Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Direção: Neil Jordan
Roteiro: Bruce A. Taylor, Cynthia Mort e Roderick Taylor, baseado em estória de Roderick Taylor e Bruce A. Taylor
Produção: Susan Downey e Joel Silver
Música: Dario Marianelli
Fotografia: Philippe Rousselot
Desenho de Produção: Kristi Zea
Direção de Arte: Robert Guerra
Figurino: Catherine Marie Thomas
Edição: Tony Lawson
Efeitos Especiais: Brainstorm Digital
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Categoria: Cine Mulher







