Sem tratamento, TDAH pode gerar problemas na vida profissional

Por juliana Saúde e Bem Estar
01 jun 2008

Dificuldade de organização, esquecimento de tarefas simples do dia-a-dia, falta de atenção e concentração, desânimo, impulsividade e inquietação podem ser sinais claros do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Com origem genética e neurobiológica, a doença pode ser detectada já na infância e, caso não seja tratada, é capaz de gerar dificuldades na vida profissional do indivíduo adulto.

No Brasil, estudos apontam que 5% dos adultos sofram do problema. De acordo com o Dr. Marco Arruda, neurologista da infância e adolescência do Instituto Glia, é importante que o TDAH seja tratado logo nos primeiros sinais de avanço, para que não persista na idade adulta. “Essa alteração genética provoca mudanças em áreas cerebrais importantes para o comportamento. Nosso cérebro tem circuitos que funcionam comparativamente ao acelerador, breque e embreagem. Com o TDAH, o breque não funciona bem e, assim, há o déficit de atenção, a hiperatividade e a impulsividade. A pessoa age por impulso, sem planejamento adequado, e só depois avalia o que fez”, explica.

A cura só é possível se for tratada na infância, através de diagnóstico clínico feito por um especialista. “Na criança, observa-se cura porque o cérebro está em desenvolvimento”. Nos adultos, em 80% dos casos é possível controlar a doença com medicamentos e tratamento psicoterápico. “O cérebro do adulto já está formado. A medicação é capaz de promover grande melhora dos sintomas e da qualidade de vida do adulto portador de TDAH”, completa o médico.

Segundo Dr. Arruda, algumas empresas americanas, em seus processos seletivos, já realizam avaliações preliminares para verificar se o candidato é portador ou não do transtorno. “Estudos mostram que os adultos com TDAH sofrem mais com depressão, têm menor produtividade, maior freqüência de divórcio e insatisfação profissional, migram mais de emprego e também registram maior absenteísmo que os demais”, justifica Arruda.

“Essa triagem prévia em serviços de recursos humanos pode vir a discriminar os portadores. Essa é uma preocupação nossa, dos especialistas e pesquisadores do assunto, e das organizações não-governamentais que congregam portadores”, completa o especialista, que cita exemplos de instituições que fazem esse tipo de trabalho, como a Associação Brasileira do Déficit de Atenção e a Children and Adults with Attention Déficit Hyperactivity Disorder.

Um estudo realizado pelo professor Joseph Biederman e seus colaboradores da Harvard University concluiu que o TDAH resulta em perdas de US$ 77 bilhões anuais somente nos Estados Unidos. Ainda de acordo com a pesquisa, os adultos que convivem com o problema recebem em média cerca de US$ 10 mil por ano a menos que os indivíduos sem o transtorno.

0 COMENTÁRIOS
COMPARTILHE
TAGS

Seu nome

Seu e-mail

Sua mensagem

Powered by WP Bannerize

Powered by WP Bannerize