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Cine Mulher
28/06/2009

Saudade de Michael Jackson vai além da música

Saudade de Michael Jackson vai além da música

Até Thriller chegar na programação da emissora norte-americana MTV os clipes musicais duravam no máximo 5 minutos. Thriller tinha ‘apenas’ 14. Uma mega produção com vampiros, monstros, mocinha e o rei do pop Michael Jackson em todas as cenas, com suas caras e bocas. Ele morreu na última quinta-feira de parada cardíaca aos 50 anos, mas vai deixar saudade no mundo do audiovisual.

Não é porque todo mundo está falando da morte de Michael que a coluna resolveu pegar carona e endeusar o mito. Não podemos é esquecer ou negar sua importância para o audiovisual. O cantor revolucionou trazendo coreografias de rua para estádios lotados, popularizou o R&B nas paradas de sucesso e trouxe a música negra para o topo das paradas. Até 1983, ano de lançamento do vídeo Thriller, as músicas eram separadas nas prateleiras das rádios entre ‘brancas’ e ‘negras’ e os videoclipes eram meros ‘fundo azul’ com casais beijando e gente dançando loucamente.

Com Thriller, Jackson não apenas lançou um dos clipes mais longos da história como começou um estilo cinematográfico na música. O vídeo tem roteiro, falas, cenas, cenários e curva dramática como em um curta metragem. Foi gravado em película e custou 600 mil dólares, um valor absurdo para um cantor na época. Foi o primeiro clipe de um negro na programação da MTV.

Para Michael Jackson tudo era possível e quando ele quis ser astro de cinema não fez teste como muitos cantores: pagou, contratou e fez seu próprio filme. Em 1988 lança Moonwalker (Moonwalker, EUA, 1988), um longa metragem sobre ele mesmo sendo ele mesmo. Na trama Michael salva três crianças de um poderoso traficante e dança, canta, vira coelho, anda de moto, vira gigante-máquina e dança, dança e dança. Os sucessos "Smooth Criminal" e "Come Together" estão entre os sucessos no musical.

Levando em conta o ano de lançamento, em seus 91 minutos Moonwalker trouxe muita tecnologia nova. Efeitos especiais seguindo o gênero ‘fantástico’, incomum em musicas até então. O trio na direção Jerry Kramer, Jim Blashfield e Colin Chilvers trabalhou dias e noites em roteiro, produção e elenco agradar Michael. O resultado foi um sucesso e até hoje a emissora brasileira SBT comemora ter os direitos exclusivos de exibição na TV aberta.

Poucos sabem mas Moosnwalker é o segundo filme do cantor. Em 1978 Michael participou de “O Mágico Inesquecível” (THE WIZ), interpretando o personagem espantalho na releitura do clássico Mágico de Oz. O convite veio da sua amiga Diana Ross, no longa interpretando Dorothy.

A música perdeu Michael e o cinema idem. Com seus videoclipes mirabolantes, musicais arrojados e o estilo cinematográfico de mostrar Jackson, o audiovisual vai ficar com saudades das caras e bocas do astro. As suas roupas eram insuperáveis em figurinos e as maquiagens devem ter dado trabalho.

Em piada sarcástica, vale lembrar que muitos outros setores do entretenimento sentirão saudades de Michael: o dono do antiquário onde ele gastou seis milhões de dólares em uma tarde, o pessoal da manutenção dos brinquedos da Neverland, as lavanderias para tantos casacos excêntricos, as clínicas de dermatologia, os maquiadores....melhor parar porque a lista é longa.


Categoria Categoria: Cine Mulher
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