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Quem nunca se atrapalhou com tanto botão?

Quem nunca se atrapalhou com tanto botão?

Eu nunca me achei muito esperta em relação às novas tecnologias que aparecem e mudam e se atualizam a cada dia ou a cada hora. Admito que sempre me deixei ficar a margem das mais recentes novidades, observando tudo com olhares curiosos porém nada cobiçosos. O celular serve para fazer e receber ligações. No máximo para algumas contas rápidas na calculadora ou para funcionar como despertador. Mas nunca para navegar na internet, acessar conta em banco ou para jogar (coisa mais sem graça). Foi só recentemente que o usei como mp3 e olha que nem sei usar essa função direito. Precisei de algumas aulas práticas antes...

Acredito que sou uma mulher mal acostumada. Pois, sendo casada com um técnico na área de informática, nunca me dispus a mergulhar nos mistérios da tecnologia, nem nos mais básicos segredinhos. Pode parecer exagero, mas é verdade. Para se ter uma idéia da minha incompetência tecnológica, nunca baixei as fotos da câmera digital para o computador. Tem o maridão para fazer isso. É só um exemplo da gravidade da questão. É verdade que metade da minha resistência em aprender essas coisas básicas é preguiça e a outra metade é falta de interesse tecnológico mesmo.

Mas, como essas coisas digitais, automáticas e cheia de pitocos estão invadindo nossas vidas, tenho que rever meu posicionamento. A gota d’água foi um episódio recente que me ocorrido em uma viagem de trabalho. Novamente vou omitir nomes e locais para não comprometer os envolvidos, inclusive a mim mesma. Depois da viagem e de um longo dia de trabalho, chego ao hotel já perto das 21h. Subo para o quarto, tomo um banho, e me preparo para ver a novela das oito (que começa às nove como todo mundo sabe). Eis que ligo a TV (pelo menos eu consegui ligar a danada) e ligo o decodificador da TV por assinatura (é, isso eu também consegui, viu?). Mas quem disse que eu conseguia achar o canal da TV global?! Vou pra lá e para cá com os controles e nada... E o tempo passando. Ai, ai a novela vai começar! Cheia de vergonha, admiti minha derrota e liguei para a recepção. O rapaz, muito simpático, repassa comigo as etapas do liga TV, liga decodificador... Tudo isso eu fiz sozinha. Eu juro. E aí ele me diz para virar o controle remoto, pois nas costas do mesmo, encontraria uma listinha com os canais e números correspondentes. É mesmo, eu fiz tudo, moço, menos virar o controle. Muito obrigada, boa noite.

No dia seguinte, já estava eu em outro hotel em uma cidade vizinha. Agora a TV não me engana, não. Mas eis que me deparo com coisa mais complexa. Nada no quarto liga! Nem TV, nem ar-condicionado, nem luz.... E agora??? Ligo eu novamente para a recepção salvadora. O moço, muito simpático, me pergunta se, ao entrar no quarto, eu coloquei o cartão da chave em um suporte perto da porta. Silêncio.... (Não. Porque eu haveria de fazer isso, me pergunto.) Bem, essa tecnologia avançadíssima faz com que, milagrosamente, tudo funcione no quarto! E ainda por cima, o danado do ar-condicionado precisava ser ligado em um painel de controle que fica atrás da cabeceira da cama! Peloamordedeus. É muito fricote tecnológico. As coisas não têm mais o botão de ON e o de OFF apenas. A coisa está tomando proporções descomunais. E, para completar, como eu não fico calada mesmo, contei todas essas peripécias para meu cliente, que estava hospedado nos mesmos hotéis. Ele, claro, rolou de rir, tirou o maior sarro da minha cara e ainda espalhou para nosso círculo de trabalho, digamos, minha “dificuldade” com a tecnologia. Mas deixa estar. Na próxima, eu não vou passar vergonha. Já tenho uma estratégia traçada. No próximo hotel no qual eu me hospedar, o mocinho recepção vai comigo mostrar como tudo funciona no quarto. Só assim eu não ligo pra ele para pedir instruções, já que sempre vai aparecer algo que eu não sei e nem quero saber sobre essa exagerada tecnologia de todo dia.

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