Ter carteira de motorista, mas nunca assumir o volante. Quem não conhece alguém que se encaixe nesse perfil? Nos divãs terapêuticos, o problema já vem sendo tratado como ‘Síndrome da Garagem’. Segundo especialistas, a síndrome atinge mais mulheres do que homens. Mas elas têm um ponto a seu favor: mulheres costumam procurar ajuda mais do que homens e já representam quase 90% dos pacientes que buscam psicólogos para superar a dificuldade.
Um dado curioso é que, segundo especialistas, só 10% das pessoas que não conseguem guiar um carro passaram por algum acidente ou trauma que pudesse justificar tanto medo. “É preciso traçar um perfil de personalidade da pessoa que se recusa a dirigir. Os casos geralmente têm explicações individuais, mas, em geral, essas pessoas são muito perfeccionistas, têm medo de cometer erros ou se preocupam demais com a opinião das pessoas”, explica a psicóloga Renata André Gomes, que atua em auto-escolas ajudando motoristas habilitados e superarem a síndrome.
Ainda segundo Renata, o pavor de provocar acidentes e de prejudicar alguém está sempre no imaginário dos portadores da síndrome, mesmo que eles nunca tenham se envolvido passiva ou ativamente em qualquer acidente de trânsito. “Hoje em dia, o acesso a informações e o noticiário sensacionalista alarma muitas pessoas. Reportagens sobre mortes ou desastres ao volante, ou mesmo de violência urbana sofrida em semáforos faz o motorista mais vulnerável a condições traumáticas recuar e simplesmente abrir mão do seu direito de ir e vir em cima de quatro rodas”, esclarece a psicóloga.
A especialista explica que, na hora da superação, o que acaba pesando mais é a responsabilidade com o lar. “Normalmente, as mulheres que têm habilitação e procuram a auto-escola pra fazer aulas e voltar a dirigir estão normalmente na faixa entre 30 e 40 anos, têm filhos, trabalham e reconhecem que precisam do carro para conciliar as atividades”, aponta Renata. Ela explica que, para os homens, admitir que não conseguem encarar o trânsito, expõe uma fragilidade que, normalmente, é causadora de baixa auto-estima e temor de parecer ridículo. “É comum, então, ouvirmos homens justificarem o fato de não dirigirem com frases do tipo: ‘prefiro andar de ônibus pra economizar dinheiro’, ou ainda ‘dirigir é muito estressante’. Quando, na verdade, por trás disso tudo, está um medo, trauma, um receio qualquer”, pondera Renata André Gomes.
E a síndrome, muitas vezes, gera sintomas físicos, como taquicardia, suor, tremor, falta de ar, enjôo, sequidão na boca, etc. A solução, tanto para homens quanto mulheres que sofrem da Síndrome da Garagem, é, antes de tudo, admitir o problema e procurar ajuda. As terapias e palestras em grupo costumam ser eficazes, já que, é a partir da troca de experiências que os especialistas iniciam a jornada rumo ao resgate da auto-estima, confiança e segurança dos futuros motoristas.


