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O primeiro dia, o primeiro beijo

A primeira impressão é a que fica. Como desdenhar do primeiro olhar, do primeiro cheiro, da primeira sensação? Sempre fui refém das primeiras impressões, dando enorme importância aos primeiros episódios da minha vida. O primeiro beijo, que eu achei estranhíssimo, a primeira transa, que não foi nada espetacular, diga-se de passagem. Mas que tiveram suas relevâncias na minha trajetória de adolescente meio doida, meio desajustada social e emocionalmente. O primeiro dia de aula na faculdade, que foi ridículo, afinal, fui com a minha mãe! Mas como consolo, eu não era a única com a mãe a tiracolo perdida nos corredores da faculdade. O primeiro dia de trabalho no primeiro emprego, o famoso dia em que ficamos olhando tudo, não fazemos nada e nos sentimos um peixe fora d’água até que alguém fica com pena e começa a nos ensinar como entrar no ritmo da engrenagem.

Tudo isso tenho vívido na memória, trazendo essas referências como marcos no desenrolar da história de uma menina que cresceu, mas que ainda está tentando amadurecer nessa vida louca vida de todo dia. Como não poderia ser diferente, transfiro a importância dos primeiros momentos para a vida da minha pequerrucha que está com dois anos e meio. O grande momento foi o primeiro dia de aula na primeira escola. Neste dia, eu acordei super cedo, antes do despertador me expulsar da cama. Mas o horário dela só era a tarde... O que significou para mim uma ansiosa manhã de trabalho. Já na escola, quase choro quando a vi de farda, toda arrumada, graças a minha super mãe. Obrigada, Mamy. O que seria de mim sem você?!

Como a garota independente e despachada que é, muito diferentemente de mim, minha baby nem olhou pra trás. Foi em frente e já desarrumou tudo na salinha, tirou a sandália para ficar mais a vontade e se esbaldou a tarde toda entre brincadeiras, músicas e o lanche. Todos os momentos devidamente registrados na digital por essa mãe coruja que vos escreve, meio escondida, para não ser vista, ao lado de outras tantas mães zelosas dos seus rebentos. Fiquei orgulhosa da minha filhota. Não deu trabalho, comportou-se bem, foi sociável e participativa. Quisera eu ter tido metade dessa impetuosidade dela. Teria aproveitado melhor meus dias de infância tão tímida e reservada.

Mas cada um é de um jeito, certo? Por isso que esses jeitos ficam tão marcados nas nossas memórias, as primeiras impressões que temos das pessoas são importantes para nos orientar em como lidaremos com elas, como conduziremos nossos relacionamentos. Mas como o próprio nome diz, são impressões, superficialidades que não representam uma radiografia definitiva e imutável das pessoas, nem dos lugares, nem dos momentos. Aprendemos a observar as entrelinhas, traduzindo os verdadeiros sentimentos e intenções. Faz parte do aprendizado, do crescer e amadurecer. Sou prova disso. Uma ex-tímida que está aprendendo muito com sua extrovertida baby. Parabéns, Agatha, pelo perfeito primeiro dia de aula. Que você possa carregar para toda a vida a ótima primeira impressão que deixou em todos nós.

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