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Coisas de Mulher
16/07/2008

Nenhum computador vai substituir um bom livro

Uma vez, trocando correspondências eletrônicas com uma prima minha, aspirante a jornalista (Deus a ajude), eu disse que ela merecia todos os livros do mundo. Por amar a literatura tanto quanto eu e por ter essa ânsia de devorar livros mais do que qualquer outra forma de arte. E, na minha poética declaração de amor ao mundo literário, eu continuei dizendo que só em pensar em todos os livros do mundo que valem a pena ler (pois existem milhões que não valem o papel no qual estão impressos), eu ficava louca de frustração. Afinal, nunca os teremos nas mãos e muito menos conseguiremos tempo para lê-los! Mesmo que vivêssemos umas dez vidas seguidas não conseguiríamos devorar a literatura que o mundo inteligente já produziu. Mas nos contentamos com algumas boas, excelentes e outras apenas razoáveis obras para nosso deleite intelectual. Afinal, somos meros mortais!

Tomei como missão indicar tais livros para minha prima. Obras que ela não poderia deixar de ler. Prometi uma lista razoável para lhe enviar um dia desses. Livros que poderiam ser encontrados nas bibliotecas da escola ou mesmo na biblioteca pública. Nossa, vocês sabiam que bibliotecas ainda existem? Afinal, comprar livros é um hábito saudável e louvável, porém, caro nos dias que correm. Como filha de bibliotecária, eu não poderia deixar de lembrar e de freqüentar tais lugares mágicos, silenciosos por tradição e hoje em dia ainda mais por conta dos poucos que lá se aventuram em busca do conhecimento. É muito mais fácil e rápido acessar o google, certo? Eu mesmo sou fã deste e de outros sites de busca e todo o mundo de informações que eles nos trazem.

Mas nenhum computador vai substituir um bom livro com cheirinho de biblioteca, um livro que passou por outras mãos, que levou outros a viajarem por suas páginas amareladas pelo tempo. Nossa que melodrama... Mas é assim mesmo que falamos quando estamos apaixonados, não é? Tudo é lindo! E é essa paixão pelos livros que me faz amar as bibliotecas e livrarias. Uma paixão que precisa ser nutrida desde cedo, desde a primeira infância. Como minha mãe fez comigo, me levando para passar tardes inteiras na sessão infantil da biblioteca pública estadual na qual ela trabalhava. Ela diz até que eu aprendi a ler sozinha. Um milagre moderno e nunca entendido pelas minhas professoras da alfabetização.

Quando criança, meu dia se dividia entre a escola e a biblioteca, uma rotina que contribuiu para minha personalidade calada e observadora. Algo bastante diferente da garotinha super comunicativa que tenho como filha. Mas que, pelo que notei, tem a mesma loucura por livros e histórias. Claro que não posso perder essa veia literária dela, seja para transforma-la em uma grande escritora ou em uma excelente leitora. Saibam que, para ambas as atividades, é preciso prática e dedicação. Eis que já somos freqüentadoras assíduas das livrarias da cidade com seus livros coloridos e cheio de aventuras para a minha pequena que ainda nem sabe ler, mas que já sabe procurar os livros, um ótimo começo. Algo lhe diz que eles são muito interessantes. Eu, por enquanto, sou a intérprete oficial. Mas, em breve, ela vai descobrir por si as maravilhas dos bons livros. Acho que vou me dedicar a fazer aquela lista de livros para a minha prima. Ainda estou devendo isso a ela. Vou guardar com cuidado para que possa servir um dia à pequena devoradora de livros que estou cultivando lá em casa. Beijos aos amantes da literatura.


Taciana Antunes é Jornalista, publicitária, metida a escritora e uma esforçada leitora.


Categoria Categoria: Coisas de Mulher
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