Medidas simples ajudam na prevenção de feridas crônicas

Por juliana Saúde e Bem Estar
20 mar 2005

Atualmente, as feridas crônicas mais comuns são as chamadas úlceras de pressão – ferimentos nos tecidos moles do corpo, como músculo, gordura e pele, causados pela compressão contínua e prolongada de proeminências ósseas que os comprimem contra superfícies compactas, como um colchão ou uma cadeira de rodas. As “vítimas” mais comuns são os pacientes acamados e os lesados medulares. A dor e o sofrimento que este tipo de problema causa poderiam ser minimizados se medidas relativamente simples fossem adotadas em favor desses pacientes. Essa é a opinião da enfermeira estomaterapeuta Ivanil Barreto de Lima, de Campinas (SP).

Para se ter a noção exata do problema, é preciso compreender a dimensão que as feridas crônicas atingem. A maior incidência delas atinge os idosos, pacientes acamados e portadores de deficiência física ou circulatória. Esses ferimentos, explica Ivanil, vão além da perda ou lesão do tecido cutâneo. “Trata-se de algo que fragiliza, que causa dor, que chega a deixar marcas quase que irreparáveis no paciente e que pode até incapacitá-lo para o resto de sua vida”, diz.

Entre as medidas preventivas que poderiam – ou deveriam – ser adotadas, principalmente pelos hospitais, Ivanil destaca as seguintes:

1. Mudança de decúbito – posicionar o paciente em ângulo de 30 graus em relação ao colchão evita a pressão sobre as proeminências ósseas;

2. Manter o paciente seco, ou seja, sem urina ou fezes;

3. Manter o paciente com a pele sempre bem hidratada;

4. Utilizar protetores de espuma;

5. Manter o lençol sempre bem esticado e seco, dando preferência a tecidos mais macios;

6. Manter o paciente bem nutrido é fundamental. Se for o caso, consulte uma nutricionista para orientação;

7. Manter a pressão arterial e a taxa de glicemia equilibradas.

Ivanil conta que existem colchões especiais que auxiliam na prevenção de úlceras de pressão, mas que devem ser escolhidos de acordo com as necessidades individuais do paciente. “Também temos disponíveis no mercado uma gama de produtos para a prevenção de úlceras de decúbito, como os hidrocolóides, ácido graxo essencial ( AGE), membranas ou filmes semi-permeáveis, entre outros”, conta.

Diante da gravidade do problema e das seqüelas que ocasiona, cuidar de uma ferida crônica exige mais que aplicar um curativo. “Precisamos compreender que a marca dessa ferida pode ser mais profunda do que podemos enxergar”, compara. A abordagem psicológica do problema indicada pela especialista pode ser facilmente verificada junto aos familiares e portadores de feridas crônicas. Além do aspecto visual da lesão, a dor impressiona.

Ivanil vai além. “Enquadro as feridas crônicas como um problema social bastante sério”, diz. Para a profissional, a falta de informação, de condições apropriadas de higiene, de moradia, de acesso aos medicamentos e produtos apropriados ao tratamento contribuem para piorar o sofrimento dessas pessoas.

0 COMENTÁRIOS
COMPARTILHE
TAGS

Seu nome

Seu e-mail

Sua mensagem

Powered by WP Bannerize

Powered by WP Bannerize