Medidas antifumo incentivam tabagista a parar de fumar
Proibir o fumo em locais fechados e acabar de vez com os fumódromos são medidas que podem contribuir para diminuir os riscos à saúde do próprio tabagista e do fumante passivo. Recentes estudos revelam que os efeitos nocivos da fumaça do cigarro são quase tão prejudiciais ao não fumante quanto para o tabagista.
Pesquisa publicada no Journal of the American College of Cardiology analisou os efeitos da exposição de não fumantes à fumaça do cigarro. Os resultados reforçam que os fumantes passivos sofrem alterações no endotélio (camada interna dos vasos sanguíneos), o que os tornam mais vulneráveis aos problemas cardiovasculares.
“Não existe um nível seguro de exposição à fumaça de cigarro”, alerta a cardiologista Jaqueline Issa, diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor (Instituto do Coração) de São Paulo. Pequenas quantidades de fumaça podem ser prejudiciais para a saúde. Separar os fumantes, limpar o ar e ventilar os edifícios não é suficiente para eliminar a exposição ao fumo passivo. Um ambiente livre da fumaça do cigarro é a única forma de proteger completamente os não fumantes.
Outra pesquisa conduzida pelos PHDs Stanton Glantz e Joaquim Barnoya², da Universidade da Califórnia, constatou em uma revisão de 29 estudos epidemiológicos publicados desde 1995, que o fumante passivo tem duas vezes mais chances de ter problemas cardiovasculares e o tabagista tem três. Esses resultados mostram que os riscos ao coração do fumante passivo são quase tão elevados quanto aos do tabagista.
De acordo com a Associação Americana do Coração (AHA em inglês), de 37 mil a 40 mil pessoas morrem ao ano por doenças do coração e dos vasos sanguíneos, causadas pela fumaça do cigarro de outra pessoa. E os prejuízos do tabaco não param por aí. Uma das maiores investigações internacionais relacionada a atitudes e opiniões de empregados e empregadores quanto ao fumo e à cessação do tabagismo revela que quase todos os empregadores (98%) e funcionários (95%) de empresas brasileiras consideram inaceitável fumar no ambiente de trabalho.
Encomendada pela Pfizer, a pesquisa denominada Global Workplace Survey entrevistou um total de 4.918 pessoas, sendo 3.515 colaboradores adultos fumantes e 1.403 empregadores de empresas de 14 países, entre eles o Brasil. Resultados do estudo também apontam que é divergente a opinião dos entrevistados quanto à produtividade dos não-fumantes: enquanto 44% dos funcionários acham que os colaboradores não-fumantes são mais produtivos, essa porcentagem é de 80% entre os empregadores.
Pesquisas nacionais apontam que, em média, 80% dos fumantes afirmam querer largar o cigarro. Mas poucos conseguem de fato. Para obter êxito na cessação do tabagismo, além da força de vontade, o fumante tem de superar ambas as dependências – física e psicológica –, necessita de um programa de apoio completo e, o mais importante, precisa da orientação do médico. É muito importante recorrer a tratamento com orientação médica, pois sem esse apoio, apenas 3% a 5% dos fumantes conseguem parar. A porcentagem é muito baixa dado o alto grau da dependência da nicotina.
TRATAMENTOS - Há duas linhas de medicamentos disponíveis no mercado para o auxílio da cessação do tabagismo:
* Terapia de reposição de nicotina: disponível por meio de gomas de mascar e adesivos;
* Terapia sem nicotina: antidepressivo e medicamento específico para auxiliar na cessação do tabagismo (agonista parcial seletivo do receptor nicotínico de acetilcolina – vareniclina).
Em ambos os casos é preciso fazer um acompanhamento médico. Vale lembrar que o uso de medicamentos pode ser associado à terapia cognitiva, que inclui psicoterapia ou terapia comportamental.
CHAMPIX (VARENICLINA) - Medicamento desenvolvido especificamente para o tratamento do tabagismo, cujo mecanismo inovador tem ação dupla. Ele se liga aos mesmos receptores no cérebro nos quais a nicotina atua, eliminando o desejo pelo cigarro, e estimula parcialmente o receptor, o que reduz os sintomas associados à falta do fumo, a chamada síndrome de abstinência. O medicamento, vendido sob prescrição médica, aumenta em quatro vezes as chances de um fumante conseguir largar o cigarro, quando comparado ao placebo. Como os receptores de nicotina no cérebro estão preenchidos pelo Champix, mesmo se o fumante deixar escapar um cigarro, ele não sentirá o prazer a que está acostumado.
Categoria: Saúde e Bem Estar







