Madrasta ainda busca seu papel

Por juliana Comportamento
25 set 2008

Ser madrasta não é nada fácil. É preciso aturar todo tipo de preconceito e estereótipo. Tudo por amor ao marido. Mas nem só de espinhos é feita esta posição. Algumas madrastas conquistam o amor dos enteados e cuidam com carinho das crianças, recriando os laços para formar uma nova família. Mas, apesar de ser casada com o pai das crianças, ela não tem direitos nem deveres diretos em relação aos filhos da relação anterior.

Tânia da Silva Pereira, advogada do escritório Caio Mario da Silva Pereira, trabalha com direito da Família e de Crianças e Adolescentes há mais de 35 anos e explica que a madrasta, além de não ter laços sanguíneos, não tem vínculo jurídico com os enteados, mas cria laços emocionais. As novas famílias assumem as tarefas de socialização, sustento material e educação. “Elas rompem com a cultura da legitimidade decorrente dos laços consangüíneos e abrem espaço para efetivas relações sócio-afetivas. A companheira do pai não tem guarda jurídica mas, quando a criança está em sua companhia, tem a guarda de fato”, ensina.

O papel da madrasta se define pelo espaço que lhe é concedido pelos outros personagens desta história. “A madrasta se torna responsável quando o pai não está. Ele outorga a guarda e, nesse momento, ela pode ser responsabilizada por qualquer episódio de omissão, descuido ou negligência”, diz a advogada. Ao lado do marido, a segunda esposa tem o dever indireto de vigiar e cuidar das crianças. Os enteados, por outro lado, lhe devem respeito.

“Todos trazem experiências anteriores e se vêem diante do desafio de criar uma nova afetividade”, explica dra. Tânia. “As novas entidades familiares nascem de um novo relacionamento (casamento ou outra união), onde um dos cônjuges ou companheiro (ou ambos) compõe a família com filhos de relações anteriores”.

Tânia ainda explica que o desafio de se relacionar é ainda maior e não há como desprezar o diálogo, a solidariedade e o afeto, fundamentais para nutrir estes laços e superar conflitos. As madrastas administram o ciúme dos enteados, a carência do marido e a onipresença da ex-mulher e, muitas vezes, esta relação por afinidade assume as funções e cuidados próprios da família biológica.

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