Fique de olho na pessoa que cuida do seu filho

Por juliana Comportamento
09 mar 2008

O Brasil inteiro tem assistido a uma onda de violência que atinge as grandes cidades brasileiras, principalmente no eixo Rio-São Paulo. E infelizmente, nos últimos tempos, as crianças têm sido as maiores vítimas. O mais chocante é que muitos casos de violência contra a criança ficam fora dos noticiários, porque acontecem dentro de casa. Essa violência vem muitas vezes daquela pessoa que é responsável pelo cuidado diário da criança – a babá. “A prevenção, nesse caso, é a melhor solução e os pais são responsáveis pela escolha da babá”, explica Roberta Rizzo, diretora nacional da Rede Kanguruh, Escola de Formação de Babás e mãe de gêmeos que ficam diariamente aos cuidados de duas babás.

Depois de verificar o alto índice de referências falsas apresentadas por babás em busca de colocação profissional, a escola, que tem sua sede no Rio de Janeiro e filiais em nove estados do país, decidiu fazer uma pesquisa com o intuito de analisar em números absolutos e âmbito nacional a quantidade de profissionais que mentem para conseguir um emprego para o qual não estão preparadas. Foram quatro anos de estudos, onde se constatou que de um universo de 6 mil babás pesquisadas neste período, 28% apresentavam referências falsas. Os locais pesquisados foram: SP, Rio, DF, Curitiba, Belém e Bahia. Outras regiões também participaram da pesquisa, mas com menor representatividade no resultado final: Ceará, Mato Grosso, Maranhão, Minas Gerais e Alagoas.

Das referências falsas, 7% disseram ser parentes das babás e que elas cuidavam eventualmente da criança. O maior índice proporcional de informações falsas foi verificada nas grandes capitais: Rio, SP e Brasília.

Confiras as principais “mentiras” contadas pelas babás na hora de apresentar as referências:

1) A família viajou para outro estado ou outro país
2) A carteira foi perdida em algum evento (assalto, enchente, mudança)
3) “Não assinaram minha carteira”
4) O ex-empregador morreu
5) Dão telefones de amigos ou familiares que se passam por ex-empregadores

Com base nesta pesquisa, Roberta Rizzo se uniu a psicólogas de nove estados e criou o PPC- Programa de Proteção à Criança – para auxiliar na prevenção de casos de violência infantil praticado por babás. O Programa de Proteção à Criança (PPC) funciona por intermédio de uma base de dados nacional que permite que se saiba sempre que uma babá traz uma referência falsa ou apresenta algum problema que tenha sido relatado por ex-empregadores. “Se uma babá que tenha cometido alguma física ou psicológica em Fortaleza, por exemplo, tentar conseguir emprego na mesma área em São Paulo, ela não conseguirá, pois a base de dados acusará”, explica Camila Valença coordenadora da unidade de Recife.

Para quem não pode contar com um sistema sofisticado, dicas simples ajudam no combate às falsas babás.

1) Ao contratar uma babá, verifique cuidadosamente as referências. Busque informações sobre o telefone que está sendo utilizado na checagem das referências, procure saber o endereço do ex-empregador e, se possível, vá pessoalmente ao local.
2) Jamais utiliza celulares para fazer uma checagem de referências. Os celulares podem estar sendo utilizado por qualquer pessoa – um parente, uma amiga, uma irmã da pretensa babá – e não haverá meios de saber a quem pertence.
3) Faça uma verificação dos antecedentes criminais a nível nacional. Temos dois casos notáveis de pessoas que tinham passado criminal em uma cidade ou estado e conseguiram emprego em outro lugar. Um deles chocou o país: o do caseiro que, anos atrás, matou uma estudante em Brasília (ele tinha passagem pela polícia na Bahia) e a do também caseiro que esquertejouuma dona-de-casa em Botafogo. Ele tinha passagem policial no interior do estado.
4) IMPORTANTE: um erro comum é achar que o nada consta federal, expedido na internet, refere-se ao passado criminal. Ele refere-se a CRIMES CONTRA A UNIÃO, embora seja constantemente confundido pelos pais com o atestado de antecedentes criminais e largamente utilizado pelas falsas babás que conseguem, dessa forma, convencer sobre seu passado ” limpo”.
5) Uma boa dica é ir até o local de moradia da babá e ver como ela se comporta no dia-a-dia com seus filhos. Se ela não tiver filhos, observe o tratamento que ela dá às crianças da vizinhança. Converse com elas, busque saber se elas gostam da pretensa babá, o que acham dela.
6) A melhor forma de prevenir-se contra as falsas profissionais é manter-se sempre alerta.

“A própria criança dá o recado quando não é adequadamente tratada. Os pais têm que estar constantemente reavaliando a babá e sua postura em relação à criança. Ao menor sinal de que algo não vai bem, recorra aos meios possíveis: família, aparelhos eletrônicos, qualquer coisa que mantenha a criança a salvo de risco de violência física ou psicológica”, explica Camila.

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