Filme Ironias do Amor mostra que não estamos preparados para amar
Casal se conhece no metrô de Nova York. Passam maravilhosos dias juntos em clima de romance, mas depois de pouco mais de um mês precisam se separar para amadurecer o sentimento. Parece loucura não prosseguir com a paixão avassaladora em seu ápice? Não para Yann Samuell, diretor de Ironias do Amor (My Sassy Girlr, Imagem Filmes, 2008) com lançamento no Brasil direto nas locadoras.
Charlie (Jesse Bradford) é um cara realista, cujo sonho é trabalhar na área administrativa de uma grande empresa. Ao conhecer a pequena notável Jordan (Elisha Cuthbert) sua rotina muda a cada minuto. Rica, a mocinha aparentemente vive a vida intensamente, com planos cada vez mais loucos e encontros inusitados no decorrer do dia. Em certa cena retira Charlie de sua aula na universidade para darem um passeio no parque, mas a ironia fica na justificativa dada ao professor: ela estava grávida, uma brincadeira leve para a personagem.
Ironias do Amor é assumidamente um romance piegas. O ponto de vista assumido é o de Charlie, narrador principal e em alguns momentos em primeira pessoa. Jordan, mesmo transbordando energia, possui um passado sombrio e feridas ainda não curadas e propõe a separação como melhor saída. A trama neste ponto surpreende, pois quando tudo caminha para a harmonia a curva dramática da narração dobra mais uma vez e mocinha e mocinho se separam.
Em imagem, o jogo de cena entre slow e fast da câmera causam belos efeitos nas elipses de tempo, aliando música e jogo de imagem. Para cada passagem de dia ou mês a câmera navega pelas ruas da cidade com efeitos de luzes e cores no efeito panning. Boas escolhas nas paisagens, como o pôr do sol do Central Park e Nova York de noite.
Apesar do final melodramático e previsível, Ironias do Amor ainda consegue arrancar suspiros. Se não pelo amor eterno e com aval do destino, a superação dos dramas passados de Jordan foi uma boa sacada do roteiro. Engraçado como sempre encontros inusitados na rua resultam em grandes paixões, pena que não no nosso filme.
Por Lidianne Andrade, jornalista





