Estresse pode acentuar quadro de dermatite atópica em crianças

Por juliana Saúde e Bem Estar
06 ago 2008

Brigas, discussões, broncas e nervosismo, são situações comuns do dia-a-dia de uma família. E, sem perceber, os pais, principais atores deste cenário, acabam prejudicando a saúde de seus filhos. Crianças expostas a esse tipo de ambiente podem agravar as doenças crônicas, como por exemplo, as alergias. Uma delas é a dermatite atópica (DA), que causa inflamação cutânea, atinge 15% das crianças brasileiras e está diretamente ligada ao estado emocional do paciente.

Também conhecida como eczema atópico (EA), a dermatite atópica é causada por um distúrbio do sistema imunológico. Trata-se de uma doença crônica, não contagiosa e que pode ser hereditária – filhos de pais alérgicos têm de 40% a 70% de chance em desenvolver a enfermidade, a depender se um dos dois ou os dois são alérgicos. Alérgenos domiciliares, como a poeira e o ácaro, bem como alérgenos de origem animal (barata, fungos, pêlo de animais) também podem ser determinantes no desenvolvimento do problema. A DA pode ocorrer em qualquer idade, mas, geralmente, é a primeira manifestação alérgica que aparece nas crianças com até cinco anos.

A coceira intensa é o primeiro sinal da doença. Ela surge antes mesmo da vermelhidão, do ressecamento e das bolhinhas nas bochechas, no pescoço e nos membros. O ato de coçar as lesões da pele pode agravar o processo inflamatório e é um dos fatores que mais causa irritabilidade e incômodo nas crianças.

A atuação dos pais nesse momento é bastante importante. As crianças captam as preocupações dos familiares, ficam nervosas com situações de tensão e ainda sofrem com as marcas deixadas pela alergia. Brigas e discussões no contexto familiar completam o quadro estressante e estão diretamente ligadas ao surgimento das crises (período em que as crianças se coçam ainda mais) e a permanência dos sintomas da dermatite.

Os pais devem se preocupar com o bem-estar dos filhos, incentivando que levem uma vida normal na escola e que participem de brincadeiras e passeios com outras crianças. “Identificar pontos que melhorem a auto-estima e encorajar a execução de atividades que dêem prazer aos pacientes com DA é essencial para a recuperação, afirma a pediatra e alergologista Cintia La Scala.

Os pacientes com dermatite atópica podem contar com a ajuda da Associação de Apoio à Dermatite Atópica, a AADA, (www.aada.org.br), que busca melhorar a qualidade de vida do paciente utilizando desenhos, pinturas e cartilhas que ensinam o que é a doença, como supera-la e tratá-la. Apesar de não ter cura, a dermatite pode ser controlada por meio de medicação adequada e medidas educativas e preventivas. Com o objetivo de ajudar os pacientes e familiares a conviverem melhor com a doença, a AADA realiza encontros periódicos, os chamados grupos de apoio, onde prevalecem relatos de mães e pacientes adultos, que ensinam uns aos outros a lidar com a dermatite. Temas como preconceito e qualidade de vida são discutidos e há orientação médica e psicológica.

Os tratamentos para a dermatite podem ser feitos com dois tipos de medicações: os corticosteróides (antinflamatório hormonal) que, devem ser utilizados com cautela para se evitar os efeitos colaterais, quando aplicados por tempo prolongado, e o tracolimo pomada (Protopic®). “Essa é uma nova classe de medicamentos. Eles não são hormonais, são tão eficazes quanto os corticosteróides, mas mais seguros para o uso a longo prazo”, afirma a Dra. Cintia. A especialista tem ainda outras recomendações para aliviar os sintomas da dermatite: evitar banhos quentes e demorados, não coçar as feridas com as unhas (que podem estar infectadas), usar sabonetes neutros e manter a pele sempre hidratada.

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