Entre Lençóis: A força do filme está na qualidade dos diálogos
Por um longo período de tempo deu-se o crédito de fazer bons romances e comédias aos norte-americanos. Depois de sucessivas experimentações com saldo positivo, os diretores hollywoodianos acabaram recebendo a fama de “únicos a saberem falar sobre um relacionamento”. O colombiano Gustavo Nieto Roa talvez tenha quebrado este estigma ao dirigir Entre Lençóis, excelente longa sobre relacionamentos e tudo o mais que a cama exigir de um casal.
Depois de algumas piscadelas em uma boate, Paula (Paola Oliveira) e Roberto (Reinaldo Gianecchini) dão vazam ao desejo e seguem para um motel. Após uma relação sexual intensa e rápida, fica o vazio do “depois”, conversas sobre o nada e tentativas de conhecer um ao outro, mesmo que apenas por uma noite.
As cenas iniciais, ajudadas por uma trilha sonora de batidas intensas ritmadas e sincronizadas com as cenas do sexo, preparam o público para um suposto filme proibido para menores de 18 anos. Mas Entre Lençóis é uma surpresa desde o começo, quando as falas surgem depois da relação, em uma tentativa criativa de mostrar que casais a noite buscam no outro um algo mais, mesmo que não queiram admitir.
O cenário é um quarto de motel e o figurino na maior parte do tempo são roupas íntimas e os personagens principais são na verdade os únicos personagens, deixando a maior responsabilidade de atrativo no roteiro, aqui assinado por Renê Belmonte
(com sucessos no currículo como Se Eu Fosse Você e Sexo, Amor e Traição). Em seus quase 90 minutos, o longa explora nas falas a gama de sentimentos que podem envolver uma simples noite em um quarto de hotel, caso as pessoas se importem com os sentimentos do outro. O casal vai desde perguntas básicas sobre nome e estado civil (ironicamente feitas após o sexo, para deixar tudo muito casual) até juras de amor e promessas de abandonar os companheiros, em uma busca desesperada para a solução de suas vidas.
Unir corpos bonitos e qualidade na interpretação era essencial, intento incrivelmente alcançado aqui. Quem diria que o ex novela das oito da Globo se sairia tão bem na dramaturgia, não é Gianecchini? Com boa expressão e fluência nos diálogos (ação impossível na estréia do galã nas dramaturgias globais), Reinaldo mostrou intimidade diante da câmera e conforto com a própria nudez. Paola Oliveira não deixou por menos, conduzindo com maestria a maioria dos diálogos e deixando suas caras e bocas agirem em boa parte da interpretação. Corpos bonitos? Sim, os dois são belíssimos, mas diante de tanta informação, bom manejo de câmera, os corpos ficam apenas nas insinuações, como no streep de ambos, deixando peças intimas sempre à frente dos órgãos sexuais.
Do ponto de vista técnico, Entre Lençóis é um filme simples. E barato. A gravação em digital e em um ambiente fechado deixa a fotografia um tanto quanto problemática, com cores opacas e por vezes fazendo falta a vida de uma 35mm. A força mesmo ficou na qualidade dos diálogos e força dos personagens, e a viagem de ambos em uma cachoeira de emoções. Nas melhores locadoras.
Ficha Técnica
Título Original: Entre Lençóis
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2008
Site Oficial: www.entrelencois.com.br
Estúdio: Centauro Produções
Distribuição: Imagem Filmes
Direção: Gustavo Nieto Roa
Roteiro: Renê Belmonte
Produção: Eliezer Lipnik, Sean Walsh e Gustavo Nieto Roa
Música: Rafael Righini, Noe Klabini e Lurent Mis
Fotografia: Márcio André Zavareze
Figurino: Lígia Bretemitz
Edição: Gabriel Baubete
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Categoria: Cine Mulher







