Empresários e arquitetos incluem trabalho de isolamento

Por juliana Casa e Cia
13 abr 2005

Apesar de discreta, existe um tópico na LOUS – Leis de Uso e Ocupação do Solo que determina quantidades específicas de decibéis (dba), para cada tipo de ambiente como academias de ginástica, salões de dança, auditórios, cinemas, bares e restaurantes. Esses padrões acústicos foram determinados com o único objetivo de evitar que o incômodo dos ruídos interfira na saúde dos indivíduos.
Por exemplo, muitos não sabem, mas, por lei, auditórios só podem atingir a marca de 40 dba, os cinemas devem apresentar até 60 dba (é por isso que mantém paredes duplas em sua estrutura) e os bares e restaurantes não podem ultrapassar 50 dba. Entretanto, em muitos casos, esses detalhes passam por despercebidos, e quando o impacto e a freqüência a padrões acústicos inadequados são percebidos, já é tarde demais para se contornar o problema. “Os ruídos que mais nos afligem, estão relacionados não só pela sua intensidade, como também pela sua continuidade”, diz a arquiteta Maria Berenice Fraga Lins, especialista em isolamento acústico.

Na verdade, os ruídos mais incômodos são aqueles que se prolongam freqüentemente pelo período noturno, que têm sua origem em instalações industriais, veículos, motorizados e casas noturnas. Além disso, os ruídos das vibrações provocados por máquinas e forças de impactos (como atividades de grande força e salas de ginástica) também são prejudiciais e devem ser eliminados. “Temos dois problemas fundamentais que se apresenta na arquitetura. O primeiro diz respeito ao condicionamento acústico dos ambientes, que favoreçam ouvir bem os sons que devem ser ouvidos. O segundo diz respeito à proteção contra ruídos ou sons indesejáveis, tendo em vista o sossego, a saúde e a capacidade de trabalho”, destaca Berenice.

Por isso, existem leis que restringem o excesso de ruídos em vários ambientes, colocam os estabelecimentos em situação de risco de fiscalização e de multa pelos órgãos e setores competentes das prefeituras e dos governos estaduais. “Como cidadãos, temos o direito de assegurar o sossego que todos nós temos garantido por lei, que determina uma quantidade máxima de decibéis, para cada tipo de estrutura imobiliária”, destaca.

Para tanto, é necessário condicionamento acústico ou proteção de ruído. O primeiro diz respeito à infra-estrutura adequada do ambiente para o tipo de som que irá receber, enquanto o segundo está relacionado ao isolamento do ambiente para evitar que os ruídos prejudicam o sossego, a tranqüilidade e a saúde dos freqüentadores de espaços públicos. Por isso, percebe-se que existem espaços, como restaurantes e bares, que merecem uma atenção mais do que especial, seja pela grande concentração de freqüentadores na mesma área construída, seja pela apresentação de som ao vivo que aumenta o incômodo sonoro. “Apesar de importante, não é sempre que empresários investem em projetos de isolamento arquitetônico. E, muitas vezes, isso acontece porque eles não acreditam na importância desse trabalho para o futuro da casa ou porque acham caro os custos de execução do plano, que é realizado por prestadores terceirizados”, comenta Fraga.
Entretanto, depois de comer em um bar ou restaurante com ruídos, várias pessoas observam uma sensação de cansaço, provocados, muitas vezes, somente pelo burburinho das pessoas e pela reverberação do ambiente. Por outro lado, depois de comer ou apenas tomar um aperitivo em local com tratamento acústico a mesma pessoa sentirá mais satisfação em estar no espaço. “Hoje, temos alguns exemplos na cidade que receberam tratamento acústico como as praças de alimentação do Paço Alfândega no Recife Antigo e do Empresarial Thomas Edison na Ilha do Leite, e o Seu Fulano Bar nas Graças”, destaca Berenice.

Exemplos - No Paço Alfândega, por exemplo, foi desenvolvido um projeto de isolamento acústico para proporcionar qualidade sonora no ambiente, pela própria expert que acompanhou a fiscalização da obra. “O objetivo era dar a comodidade necessária aos freqüentadores do espaço, que iria agregar vários restaurantes e bares”, lembra.

Por ser um espaço com música ao vivo, o no Seu Fulano Bar recebeu um trabalho de condicionamento acústico com o objetivo de prevenir futuros incômodos aos vizinhos. Anteriormente, o estabelecimento apresentava medições que variavam de 50 a 67 dba, em função do som dos artistas da casa, burburinho dos freqüentadores e do barulho vindo da rua. “Apesar de não ser um problema, achamos mais adequado adaptar o bar para o futuro, pois a ausência de um tratamento acústico dificulta a realização de várias ações culturais, que desejamos realizar pela frente como projetos musicais diferenciados”, diz um dos sócios do Seu Fulano Bar, José Belarmino.

Para tanto, investiram em amplo processo de implantação acústica que envolveu o tratamento da coberta, diminuição da abertura lateral e diminuição da fachada principal. Esse trabalho foi realizado com a implantação de absorventes no teto para evitar que a maior parte do som ultrapassasse a cobertura, que antes era apenas de telha canal. E também foram colocados painéis forrados para absorver e isolar o som na área lateral, que tinha um paredão com pé direito muito alto (facilitando a expansão dos ruídos para os imóveis vizinhos). “Apesar dos altos custos, o investimento compensou pois conseguimos diminuir a medição de ruído e evitamos problemas futuros para nossos clientes e para a própria vizinhança, que tem sido sempre nossa maior preocupação já que nosso bar funciona numa área ainda residencial”.

No Seu Fulano Bar, o desenvolvimento do processo de condicionamento acústico levou cerca de quatro meses para ser concluído, uma vez que os empreendedores tiveram que ir executando o projeto aos poucos já que não podiam fechar a casa. Hoje, passados três meses da sua conclusão, comemoram a marca de 49 a 53 dba, incluindo períodos de silêncio, apresentação de show e circulação de carros na rua.

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