Saia, vestido, meia-calça? Que nada! A moda do momento é macacão à prova de fogo, traje usado pelas mulheres aventureiras como, por exemplo, a piloto Fernanda Parra. A garra e competência fizeram com que a jovem paulista, 28 anos, entrasse para o “clube do bolinha” , da Stock Car. “No início, ouvia muito dos pilotos para que eu não me preocupasse, pois se tivessem que bater no meu carro, bateriam com carinho, mas hoje eles já me vêem como uma concorrente na pista”, afirma Fernanda.
Recentemente Fernanda Parra deixou a Copa Vicar (antiga Stock Car Light) para correr, em 2008, na Copa Webmotors de Pick Up e continua sendo a única piloto mulher e, como tal, Fernanda relata algumas de suas experiências e desmente o provérbio machista de que “mulher no volante é um perigo constante”. Segundo a piloto “logo que decidi pilotar, há dois anos atrás, os homens achavam estranho uma mulher estar no meio deles, porém a maior preocupação de todos era saber se o tempo que eles tinham feito na pista era mais rápido que o meu. E quando eu superava o tempo deles, eram “zoados” por toda a equipe”, relembra Fernanda.
Mesmo enfrentando os problemas que só as mulheres têm como cabelos longos, unhas compridas e a famosa TPM, Fernanda soube enfrentar e superar essas dificuldades. “Meu cabelo, como é longo, no início ficava solto dentro do capacete durante as corridas e, quando eu o soltava, ficava horas e horas tentando desembaraçá-lo. Depois percebi que o melhor era fazer uma trança. Minhas unhas, também compridas, atrapalhavam um pouco, principalmente na hora de usar o câmbio. Hoje, sou obrigada a cortá-las. E, no período pré-menstrual, na famosa TPM, eu aprendi a manter a calma e o equilíbrio”, declara Fernanda Parra.
Demonstrando total segurança e tranqüilidade quando o assunto é a profissão, Fernanda Parra também está acostumada a fortes emoções como, por exemplo, atingir uma velocidade de 240 quilômetros por hora; enfrentar perigosas derrapagens e até suportar temperaturas que atingem 63 graus.
Formada em marketing e administração de empresas, em São Francisco, nos Estados Unidos onde morou dos 19 aos 24 anos e hoje também trabalha com o pai, empresário e ex-piloto Fernando Parra, que, segundo Fernanda, teve forte influência na sua escolha pelo esporte e conta que desde pequena acompanhava o seu pai nas corridas e sonhava em pilotar. “Eu acompanhava sempre que podia o meu pai nas corridas, mas como eu ainda era muita criança, lembro que para entrar na área dos boxes, tinha que ficar escondida no porta-malas do carro do meu pai”, recorda.
Crítica e observadora, a piloto acredita que o automobilismo, por ser um esporte que exige muita concentração e o constante aprendizado a ajudou em sua profissão. “Aprendi a ter mais disciplina, garra e, principalmente persistência, o que me ajudou também, na vida pessoal”, declara. Acostumada a enfrentar desafios, Fernanda também não escapou de acidentes dentro das pistas e confessa: “já passei alguns sustos dentro do carro!”, declara Fernanda.
A piloto já disputou vários campeonatos como o “Trofeo Maserati” aonde chegou na 5ª posição e conquistou algumas importantes vitórias como no “Paulista de Automobilismo”. Em 2005 disputou o “Campeonato Paulista de Força Livre” e alcançou o 4º lugar. Já em 2006, participou da tradicional “1000 Milhas Brasileiras”, correndo em dupla com seu pai Fernando Parra ficando em 2º lugar na categoria e alcançando o vice-campeonato da categoria Força Livre do Campeonato Paulista.


