A organização da sociedade civil sem fins lucrativos Diaconia promove uma campanha emergencial em solidariedade às famílias agricultoras do semi-árido afetadas pelas enchentes no início de abril. As fortes chuvas destruíram plantios, sistemas de irrigação e reservatórios de água, levando milhares de famílias agricultoras a amargarem grandes prejuízos, que elas não têm capacidade financeira para reverter. A campanha visa captar recursos para investir na volta da capacidade produtiva da família.
Qualquer pessoa pode participar da campanha. Para isso, basta depositar qualquer valor na conta corrente 8818-8, da agência 3234-4, do Banco do Brasil, aberta exclusivamente para este fim. “O diferencial dessa campanha é formar uma corrente de solidariedade na sociedade em prol das famílias agricultoras do semi-árido que sofreram perdas na infra-estrutura de produção agropecuária”, atesta o diretor executivo da Diaconia, Arnulfo Barbosa.
Os recursos captados pela campanha serão investidos nas pequenas propriedades rurais localizadas nos territórios do Sertão do Pajeú e no Oeste do Rio Grande do Norte, onde a Diaconia tem atuação direta. No sertão potiguar as perdas foram maiores, com cerca de 300 famílias agricultoras afetadas. No Sertão do Pajeú, a projeção é de 200 famílias prejudicadas.
A grande quantidade de água que caiu na propriedade da família do agricultor Gladistone Carneiro, no município de Umarizal (RN), ameaça sua produção até o fim do ano. Sem produzir feijão, milho, alface, coentro, pimentão, mamão e batata doce, seu Gladistone não tem como manter a renda semanal de R$ 150,00, que é justamente o lucro da feira agroecológica da cidade.
A sua família plantava graças a uma barragem sucessiva no rio Umari que fornecia água para irrigar o cultivo. Com as fortes chuvas, a estrutura da barragem está comprometida. A barragem sucessiva é uma das tecnologias sociais de convivência com o semi-árido que pereniza trechos de rios temporários.
A barragem é uma parede construída no leito do rio para impedir a passagem da água, ficando acumulada no trecho antes da parede por vários meses. No rio Umari, das seis barragens construídas, duas foram afetadas pelas fortes chuvas de abril e outra está desde as chuvas de 2007. Cada barragem beneficia diretamente 80 famílias. As obras para recuperação das barragens custam aproximadamente R$ 50 mil.
Segundo dados das Secretarias Municipais de Agricultura e Sindicatos dos Trabalhadores Rurais dos 13 municípios do Pajeú, 37 açudes foram arrombados, 23 barreiros quebrados, 20 passagens molhadas foram danificadas. Na região semi-árida, os açudes são fontes de água comuns para toda a comunidade e abastecem 60 a 80 famílias no período de estiagem. Já os barreiros são obras de menor porte que fornece água para 10 a 15 famílias. Tanto a água do açude quanto dos barreiros, servem para irrigar plantios, matar a sede dos animais e usos domésticos, como limpar a casa, lavar louça e roupa.


