Com o passar do tempo, à medida que a idade vai avançando, é natural que o ser humano passe por uma série de mudanças psicológicas, e, principalmente, físicas. A memória já não é mais a mesma, assim como a visão, a musculatura. Os ossos e coordenação motora. Essas alterações estruturais são justamente as principais causas dos acidentes domésticos mais comum entre os idosos: as quedas.
Diferente das pessoas mais jovens, a ocorrência de quedas em quem tem mais de 60 anos de idade oferece riscos à saúde. Além das possíveis fraturas, o tempo de imobilismo pode acarretar comprometimento pulmonar e cardíaco e, em alguns casos, ser fatal. Estatísticas do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam que um terço dos atendimentos por lesões traumáticas nos hospitais do País ocorrem com idosos. O mais espantoso é que cerca de 75% dessas lesões acontecem dentro de casa e 34% delas provocam algum tipo de fratura. A maior parte desses acidentes (46%) acontece no trajeto entre o banheiro e o quarto, principalmente à noite. “É importante ressaltar que estes dados de queda dentro de casa são específicos para os idosos frágeis, ou seja, os que têm idade mais avançada e-ou doenças que os deixam mais dependentes e pouco ativos. No caso dos idosos ativos, o índice maior das quedas é mesmo nas ruas, calçadas esburacadas ou desníveis”, explica a fisioterapeuta da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a Dra. Etiene Fittipaldi.
Como a maioria das pessoas idosas passa grande parte do seu tempo em casa, as prevenções podem e devem começar pelas próprias residências e, principalmente, na ambientação do quarto do idoso. A acessibilidade é um fator primordial nesses casos. O pouco mobiliário é a primeira e principal medida. “Não que seja necessário criar um partido arquitetônico exclusivo para idosos, pois independente de suas idades, cada um tem seu estilo e é preciso preservá-lo”, disse o arquiteto Josemar Costa Júnior. A disposição da mobília e as portas de acessos têm que prever uma excelente circulação no ambiente, inclusive a possível utilização de objetos para auxilio de mobilização, como cadeiras de roda, muletas e outros. É importante não se trabalhar com desníveis de piso, evitar degraus e optar por pisos aderentes. “Deve- se propor camas com altura confortável, para evitar um maior curvamento do tronco e conforto ao sentar”, sugere Costa Júnior. É sempre muito bom dispor de uma poltrona no quarto, seja para leitura ou para assistir TV.
Outro fator de extrema importância, que não pode deixar de ser levado em consideração, é a iluminação. Quartos, escadas, corredores, salas e demais locais de acesso do idoso devem ter luzes. A Dra. Ettiene Fittipaldi, no entanto, faz um alerta: “Esta iluminação não deve ser nem forte, nem fraca, e menos ainda deverá incidir sobre os olhos, pois pode prejudicar a visão dos idosos”. E, para isso, o luminotécnico Adolpho Leimig, da Light Design, sugere que seja usada a iluminação indireta. “Somente dessa forma, consegue-se o conforto luminoso como um todo, porque a luz não vai diretamente ao objeto, sem esquentá-lo e ofuscá-lo”, e nem ofuscando tanto”, explica Adolpho.
Ainda no quesito luz, Adolpho Leimig dá outra dica: “Um excelente recurso para esses casos, em que o cliente não tem tanta facilidade para se deslocar, é a utilização de Dimer’s, pois é possível dimensionar a intensidade da luz no ambiente, causando conforto e respondendo as necessidades do tipo de luz certa, na hora certa”. Uma ótima solução para esse tipo de projeto é usar arandelas próximas das portas e ter o comando da iluminação próximo ao criado mudo. Assim como em todo projeto de arquitetura e decoração, o importante mesmo é fazer com que o ambiente traduza a resposta a todas as necessidades e conforto, tão buscada pelos clientes, especialmente aos da terceira idade.


