De acordo com um estudo inédito realizado por pesquisadores da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) e do CEMICAMP (Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva de Campinas) com 860 brasileiras com idade entre 18 e 35 anos, aproximadamente 80% das mulheres disseram que têm ou já tiveram TPM (Tensão Pré-menstrual), sendo que em 95% dos casos foram atribuídos à síndrome pré-menstrual sintomas físicos e emocionais. Grande parte das entrevistadas que afirmou sofrer de TPM disseram que sentem nervosismo e ansiedade (85,4%), alterações de humor e choro fácil (81,9%) e irritabilidade (77,3%). Quanto às manifestações físicas, 77,6% reclamaram de dores e inchaço, 70,7% de cólica e 65,8% de dores de cabeça. O estudo epidemiológico Tensão Pré-Menstrual: Perspectivas e Atitudes de Mulheres, Homens e Médicos Ginecologistas no Brasil conta com o apoio da Bayer Schering Pharma, divisão Bayer HealthCare.
Para o ginecologista Carlos Alberto Petta, coordenador da pesquisa, o predomínio de ambos os sintomas (físicos e emocionais) observado no estudo revela que as queixas à TPM podem ser maiores no Brasil do que em outros países. “Provavelmente a mulher brasileira moderna desempenha diversos papéis ao mesmo tempo, seja na família, no trabalho ou em casa, e não quer ter que lidar também com os sintomas pré-menstruais”, analisa Carlos Petta. Segundo o especialista, alguns estudos internacionais já apontavam que as brasileiras sofrem mais de TPM do que as mulheres européias ou as norte-americanas, mas o estudo brasileiro foi o primeiro a demonstrar como elas são afetadas. Na pesquisa do CEMICAMP, 61,7% das mulheres que dizem ter TPM possuem trabalho remunerado.
Um dos objetivos da pesquisa é avaliar de que forma a TPM afeta a qualidade de vida e o dia-a-dia das mulheres e quais medidas são adotadas para lidar com esses sintomas. Segundo os resultados preliminares do estudo, a maioria das mulheres (95%) possui, ao mesmo tempo, manifestações físicas e emocionais. “O impacto da TPM nas atividades é maior quando os dois sintomas estão presentes. Nestes casos, 56% das mulheres disseram que a TPM afeta as relações amorosas e 50,1% os relacionamentos familiares”, explica o ginecologista Carlos Alberto Petta. A pesquisa também mostrou que 47% das mulheres com sintomas físicos e emocionais acreditam que a TPM interfere no trabalho e 45,7% nas atividades de casa.
Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi que apesar das queixas freqüentes, mais da metade das mulheres (58,2%) com sintomas físicos e emocionais não haviam consultado um médico. No caso daquelas que mencionaram ter somente sinais físicos ou só emocionais, esse número sobe para 70,9%. “Entre as mulheres com TPM mais severa, somente 40% buscaram a ajuda de um médico e eram aquelas com maior grau de escolaridade e status socioeconômico”, afirma Petta. Segundo o médico, diversos motivos estão relacionados à falta da consulta médica como vergonha em falar sobre os sintomas, falta de informação sobre a TPM e os sintomas, dificuldade de perceber os sintomas como algo relacionado à TPM, entre outros. “Além da necessidade de maior informação às mulheres, o estudo demonstra a necessidade dos médicos abordarem mais o tema nas consultas com suas pacientes”, afirma o ginecologista.


