Como é ser pai em uma cadeira de rodas

Por juliana Comportamento
06 ago 2008

O dia 10 agosto será uma data muito especial para Ricardo, William e Valdir. Além de serem pais, eles têm em comum o fato de serem deficientes físicos e atletas da ADD – Associação Desportiva para Deficientes. Para eles, o Dia dos Pais é mais que uma carinhosa homenagem. Conseguir superar a deficiência e conquistar a alegria da paternidade tem um significado muito maior. É mais uma vitória entre tantos obstáculos que enfrentam em uma sociedade que ainda está longe de oferecer condições iguais aos seus cidadãos. Os três foram vítimas de tragédias que mudaram para sempre o rumo de suas vidas, porém não lhes tiraram a felicidade de viverem e serem pais dedicados e carinhosos como qualquer outro.

William Albino Prudêncio tem de 30 anos, integra a equipe de basquete sobre cadeira de rodas da ADD e trabalha em uma fábrica de pipas de um amigo. Aos 22 anos foi atropelado por uma menina de 15 anos, que subiu com o carro que dirigia na calçada onde William encontrava-se esperando o ônibus. Na ocasião, William já era pai de Karen – hoje com 10 anos. Ele conta que foi uma surpresa muito boa saber que poderia ser pai novamente, pois imaginava que não poderia mais ter filhos. Assim vieram Júlia – hoje com dois anos e meio e o caçula William – de cinco meses. Sobre o que mudou após o acidente em relação à paternidade, ele diz saber que existem algumas limitações, como por exemplo, na hora de pegar os filhos no colo ou em algumas brincadeiras, mas que isso não o impede de ser um bom pai e de aproveitar a paternidade.

Ricardo Carvalho da Silva tem 27 anos e ficou paraplégico há 8 após um acidente com arma de fogo. Trabalha como assistente administrativo no Banco Santander e é jogador de basquete sobre cadeira de rodas da equipe ADD/ Magic Hands. É casado com Vanessa, que está grávida de 4 meses e meio, esperando o primeiro filho de Ricardo.

Valdir Moreira, de 33 anos, é analista de sistemas e também sofreu uma lesão medular ocasionada por arma de fogo em um assalto há 14 anos. Jogou na equipe ADD/ Magic Hands, embora atualmente esteja um pouco afastado. Disse que mesmo após o acidente acreditava que poderia ser pai algum dia. Assim nasceu Gustavo – hoje com três anos e com ele novas responsabilidades. “Ganhei uma nova visão, pois até aquele momento eu era o filho e agora estou na posição de pai. Eu estava em uma posição onde havia alguém “acima” de mim e agora eu tenho alguém que depende de mim”, conta. Para ele, a idéia de que pessoas com deficiência são diferentes na questão da paternidade é um “mito”. “O sentimento de ser pai, o valor que isso tem, as responsabilidades são as mesmas para qualquer pessoa”, diz.

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