Casa do Amor promove resgate de dignidade para jovens e idosas carentes

Por juliana Comportamento
26 abr 2005

São muitas as maneiras de se nomear ou expressar o mais sublime dos sentimentos humanos, o amor. Há 10 anos, o administrador de empresas Daniel Rolim criava a sua, a Casa do Amor. A instituição, localizada no bairro do Arruda, Zona Norte do Recife, abriga idosas carentes com o propósito de oferecer um final de vida mais digno para elas, que, em sua maioria, atuavam como empregadas domésticas antes de serem acolhidas pelo abrigo. Atualmente, a entidade cuida de 20 idosas, de 56 a 100 anos de idade.

Mas é desde o final do ano passado que a Casa do Amor também tem voltado seus olhos para os mais jovens. Agora, a instituição desenvolve oficinas de cidadania, alongamento, teatro e danças populares, como o maracatu e o xaxado, com o objetivo de promover o reforço da auto-estima de crianças e adolescentes de comunidades carentes do Grande Recife. Ao todo, 13 jovens de seis a 18 anos de idade já estão sendo beneficiados pelo projeto, que tem planos de alcançar outros 17 apenas este ano.

Uma das responsáveis pelo sucesso e animação dessas atividades é a professora e atriz Zuleica Ferreira, conhecida dos pernambucanos por encarnar a personagem Maria Bonita no longa O Baile Perfumado . “Estou encantada. Olho para cada um deles e vejo uma vontade de aprender que estou achando fabulosa”, revela a atriz, que não esconde o desejo de o trabalho revelar novos talentos entre os jovens.

Entre seus alunos está Marcos Deovan, 15 anos, do bairro de Santo Amaro. “O que me atraiu no projeto foi a vontade de querer expor meus talentos e a forma como os instrutores nos tratam, de igual para igual”, afirma o adolescente. “Acho que esta é uma oportunidade muito boa se você pensa em seguir a carreira artística, pois é preciso começar muito cedo. E eles só têm a ganhar com esse aprendizado, seja intelectual ou emocionalmente” conclui Zuleica.

Trabalho terapêutico – No trabalho com as idosas, a Casa do Amor oferece sessões de fisioterapia e aulas de trabalhos manuais. Elas também dispõem de considerável área verde e, para as mais religiosas, um nicho de Nossa Senhora, para os momentos de oração.
Problemas existem e vão desde a obtenção de remédios à compra de fraldas geriátricas e mantimentos. “Tem dia que a gente abre o freezer e não tem nada”, revela o administrador de empresas e idealizador da entidade, Daniel Rolim. Para contornar a situação, a instituição promove a conscientização da comunidade por meio de campanhas em escolas, além de realizar festas em datas específicas do ano e organizar bazares periódicos no intuito de arrecadar fundos para que o trabalho com as idosas não seja interrompido.

Para que tal não ocorra, a Casa do Amor também conta com os esforços de cinco auxiliares de enfermagem, de um encarregado da limpeza, de duas cozinheiras e de mais três profissionais encarregados de realizar o trabalho social externo. É deles que dependem pessoas como Regina Nascimento, de 98 anos, dois deles passados sob a proteção da Casa do Amor. Devota de Santo Antônio, ela revela com plena lucidez no olhar sua história de vida, reclama da labirintite e revela a satisfação de estar na casa: “Gosto de todos”, afirma ela.

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