Canais
Colunas
Coisas de Mulher

Cabelos, louca obsessão

Cacheados ou lisos? Compridos ou curtinhos? Qual sua preferência? Hoje em dia vemos pelas ruas os mais variados tipos, estilos, cores, texturas, com ou sem reflexos, mechas, presos ou soltos ao vento. Dos chamados “bons” aos pixains. Lembro do meu próprio cabelo aos 29 anos, enorme, liso e escuro. Hoje, quase cinco anos depois, estão bem curtos, repicados e cor de urucum. Para dar aquele retoque mensal e esconder os famigerados fios brancos, passei na farmácia e comprei a tintura de sempre, marquei hora na cabeleireira para reavivar o corte. Um episódio de vaidade necessário. Afinal, qual é a mulher que não se preocupa com o próprio cabelo? Acredito que até as menos vaidosas, em algum momento, se rendem a essa pequena obsessão feminina.

De um jeito ou de outro, o cabelo marca nossas vidas, reflete nossas personalidades, contam um pouco de nossa história. Minha silenciosa infância foi premiada com um cabelo curtinho, tipo Joãozinho, acredito por ser mais prático e não dar muito trabalho. A adolescência exigiu um cabelo mais comprido, para ajudar a esconder as espinhas e a danada da timidez que ainda me perseguia. Quando entrei na faculdade (a Glória!), sapequei uma mecha branca no cabelo escuro, marcando meus anos Dark. Era para impressionar e para manter o resto da humanidade longe de mim, bichinho anti-social que eu era. Depois foi comprido até os 30, para sacudir nas pistas de dança, para fazer charme para os pretendentes. Já balzaquiana e mãe, o cabelo foi encurtando, as tinturas ficaram mais freqüentes (cabelos brancos, eu os odeio). Além do mais, não tenho mais tempo para ficar horas arrumando um cabelão para ficar preso o dia todo, neste nosso clima nem um pouco ameno.

Mas os sacrifícios que se faz para ter um cabelo bonito são os mais incríveis. Além do investimento financeiro que algumas mulheres se dão ao luxo, existem as infinitas horas de salão de beleza, os dias sem poder lavar o cabelo por conta das escovas progressivas, francesas, inteligentes, definitivas, de chocolate e de sei lá mais o quê. É impressionante a profusão de tipos de escova que se pode fazer em um cabelo, coitado, não se tem pena mesmo dos fios. São amassados, repuxados, queimados, descoloridos, pintados, cortados, hidratados. Tudo o que se possa fazer para chegar ao cabelo perfeito, elas farão. Chego a admirar as heroínas freqüentadoras dos salões de beleza e suas peripécias em busca da perfeição capilar. Divirto-me com as histórias de salão em que até cabelo queimado e caindo conseguiu ser recuperado!

Experiências mal sucedidas a parte, acredito que as mulheres devem sim usar a modernidade a serviço da beleza, em busca da sua beleza pessoal. É assim que queremos nos mostrar ao mundo: bonitas e cheias de graça, com cabelo solto e sedoso. Eu é que não tenho tanta disposição para o mundo dos cremes, tratamentos, secadores e cabeleireiros. Um corte ou outro e uma tinta aqui outra ali. É o máximo a que me submeto. Fazer escova? Não, muito obrigada. Sinto como se aquela quentura toda na cabeça fosse capaz de torrar meus neurônios. Deste jeito, até a escova inteligente vai ficar com um QI mais alto que o meu.

Taciana Antunes é Jornalista e Publicitária

compartilhe
  • Salvar no Delicious
  • Enviar para o Rec6
  • Acrescentar a Facebook
  • Envie para o Twitter
  • Adicionar esta matéria no Linkk
  • Adicionar ao diHitt