Aprenda a prolongar a vida útil dos freios

Por juliana Vitrine
19 out 2008

Quando foi a última vez que você verificou o estado das pastilhas e lonas de freio? Hummm… Está difícil de lembrar? Então, é melhor correr e resolver esse assunto, ou você poderá ter sérios problemas.
Só para você entender, a potência do sistema encarregado de parar o carro é sempre muito superior à do motor que o movimenta. Mas, manter seu bom funcionamento exige cuidados no uso e na manutenção. Tentar fazer um “arrumadinho”, nos freios pode ser sinal de perigo. O correto é usar sempre peças originais ou de qualidade comprovada e nunca hesite em substituir componentes que apresentem ou estejam em vias de apresentar problema.

Os freios dos automóveis utilizam dois sistemas: a disco e a tambor. No primeiro, empregado nas rodas dianteiras de todos os carros atuais e nas traseiras de vários deles, pastilhas (que não giram) comprimem o disco, que é ligado ao eixo e acompanha o movimento das rodas. No freio a tambor, as lonas internas se afastam para provocar atrito com o tambor ou panela.

A grande vantagem do sistema a disco está na maior dissipação de calor, pois os componentes estão expostos ao ar que passa pelas rodas. A recuperação do freio após atravessar um trecho alagado também é mais rápida pelo mesmo motivo. Menor peso e facilidade de substituição das pastilhas são outros benefícios.

Uma falha total dos freios é difícil hoje, em que todo carro utiliza dois circuitos independentes. Entretanto, um erro muito comum pode deixá-lo em apuros: o de não substituir periodicamente o fluido. Responsável por transmitir a pressão que faz acionar as lonas e pastilhas contra os tambores e discos, ele só é lembrado por muitos numa descida de serra, quando o uso intenso pode até deixar o carro sem freios. Mas por que isso acontece?

O sistema de freios trabalha em alta temperatura, que um fluido novo suporta com segurança. Como o fluido é higroscópico, vai absorvendo aos poucos a umidade do ar e baixando o ponto de ebulição (fervura). Num momento de maior solicitação, atinge uma temperatura crítica e surgem bolhas de ar que, ao contrário do fluido, podem ser comprimidas ou até mesmo o fluido ferve. O resultado varia da perda de boa parte da pressão até a falha completa do freio.

Para evitar isso, substitua todo o fluido uma vez ao ano, não importa a quilometragem percorrida no período. Ao lavar o motor, cubra com um plástico o reservatório de fluido para evitar a infiltração de água pelo respiro da tampa. O líquido tem outras funções, como lubrificar e proteger da corrosão componentes metálicos, como molas e êmbolos, e de borracha, como as de vedação e os tubos flexíveis. É mais um motivo para se exigir o uso de marca reconhecida e de uma embalagem lacrada: um fluido guardado pode não mais conservar suas propriedades originais.

Saiba usar seus freios

• Freie sempre que possível com suavidade, dosando a força no pedal. Freadas bruscas aumentam o desgaste dos freios e pneus, e podem travar as rodas, o que aumenta o espaço necessário para parar o veículo.

• Entre nas curvas em velocidade compatível. Frear dentro da curva é possível, mas requer sensibilidade. Pise com moderação e alivie a pressão se sentir travamento de roda.

• Use numa descida a mesma marcha que usaria para subi-la. Isso poupa os freios. Jamais coloque o câmbio em ponto-morto (a popular “banguela”): o desgaste dos freios e o risco a sua segurança e a dos outros não compensam a mínima economia de combustível.

• Não desligue o motor com o carro ainda em movimento. A câmara de vácuo (servo-freio) deixará de atuar, o que torna o pedal bastante pesado. Este é, a propósito, outro risco da “banguela”: o motor pode morrer e você precisar frear antes de conseguir religá-lo.

• O nome já diz: freio de estacionamento serve apenas para manter o carro imóvel quando estacionado. Evite aplicá-lo em movimento, o que pode bloquear as rodas traseiras e causar um “cavalo-de-pau”.

• A presença do sistema antitravamento ABS não significa que você deve frear ao máximo sem necessidade. Além do desgaste do conjunto, isso pode levar a uma colisão traseira se o veículo de trás não conseguir frear com a mesma eficiência que o seu.

• Seguindo essas instruções é improvável que você fique sem freios. Se acontecer, segure o carro através da redução de marchas e puxe o freio de estacionamento com suavidade, mantendo o botão apertado. “Bombar” o pedal permitirá saber quando o sistema recuperar a eficiência. Fique atenta!

Mande suas dúvidas e sugestões para o e-mail: alineramos@necessaire.com.br.

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