Ação Valquíria: filme resgata fato histórico com glamour hollywoodiano
Surgiu uma vontade louca em Tom Cruise de voltar a ser um ator levado a sério. Depois de ser taxado de fanático e louco por propagar suas crenças xintoístas nos SETs de filmagem e exigir cachês milionários acima até de grandes atores como Jack Nicholson e Tom Hanks, Cruise caiu no desgosto dos diretores. Rico, nem precisava voltar às telas, mas bancou produção, estudou e brigou até conseguir estrear Operação Valquíria, sua ultima cartada para voltar ao sucesso no cinema.
Tom interpreta o coronel Claus Von Stauffenberg, oficial nazista desesperançoso de uma Alemanha perfeita como a prometida no socialismo nazista. Aliado a um grupo de oficiais, assistentes e soldados, arma um plano para matar Adolf Hitler, planejando todas as entrelinhas, inclusive o que fazer caso consigam seu intento. Para manter a ordem no país e com os aliados, o próprio Hitler planejou a Operação Valquíria, plano que deve ser acionado em caso da morte do líder de reestruturação do governo.
Como astro, Cruise volta a convencer que seu rosto é bonito e possui um charme peculiar no olhar. Sem o olho esquerdo, a mão direita amputada e apenas três dedos na outra, o ator arrasa corações. Mas para papéis sérios e de relevância histórica, deixa muito a desejar. Sem o olhar frio e penetrante característico de muitos alemães na época do Holocausto, o longa deixa uma paixão falsa no ar, a impressão clara que todos estão reencenando um fato que não é deles, uma teatralização deslavada.
Entregar uma temática aos hollywoodianos é correr o risco de ter um longa repleto de firulas, muitos eventos não reais acrescentados sem função narrativa mas detentores de belas imagens e efeitos especiais e muita música ao fundo. A segunda versão de Operação Valquíria conseguiu perder muito de sua essência história e ganhar muito drama de separação dos personagens, choro, mortes heróicas e não reais e muita, muita trilha sonora: música para abrir a porta, música para observar e mais música para morrer.
Bryan Singer, diretor e guia desta carruagem desgovernada, talvez pretendesse jogar no mercado uma obra bonita de um tema que ainda arrasta multidões e horroriza outros milhões. Ou seja, bilheteria certa. Colocar no cartaz um rosto belo de sucesso como o de Cruise traria mais uns milhões em entradas. Mas no conjunto, não agradou tanto assim. Tom até tentou trazendo até esposa e filhos para o lançamento no Brasil, mas o fiasco é inegável.
Com alemão da capa, a maquiagem não perdeu tempo nem ao menos tirando o tom tropical da pele de Claus Von Stauffenberg. Sem contar que aquele olho de vidro é o melhor do mundo: olha no fundo dos olhos de Hitler e não reflete a câmera. Pequenos detalhes de caracterização tornariam o trabalho de Cruise mais digna de premiação pelo esforço. Do jeito que chegou às telas do cinema, há uma impressão de feito “para ser galã”. Um Leonardo Di Caprio na década de 40. Sua carga de lover boy nas cenas com a esposa poderiam ter tido uma dose a menos, pois transformaram um oficial que há alguns anos atrás estava na linha de frente de massacres aos judeus em um Deus, nada condizente com os fatos reais.
Para a primeira versão cinematográfica, há inúmeras perdas e alguns ganhos. Perdas pelo péssimo inicio, já com a perda do olho do oficial. Todos falando em inglês também deixou uma falsidade enorme no ar. Analisando em frios olhares, foi uma ousadia louca do diretor refilmar uma película nem tão velha assim, com pouco mais de vinte anos. Serve para divertir. Para uma pesquisa sobre o tema, leia um livro.
Informações Técnicas
Título no Brasil: Operação Valquíria
Título Original: Valkyrie
País de Origem: EUA / Alemanha
Gênero: Drama
Classificação etária: 14 anos
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento: 2008
Estréia no Brasil: 13/02/2009
Site Oficial: http://www.operacaovalquiria.com.br
Estúdio/Distrib.: Fox Filmes
Direção: Bryan Singer
Categoria: Cine Mulher







