É notável que a diversidade sexual vem sendo cada vez mais aceita pela sociedade nos últimos tempos. Homossexuais, gays ou lésbicas, já não causam tanto espanto e o tema parou de ser tratado como tabu, especialmente pela mídia. Essa proximidade das pessoas com o tema, contudo, acaba promovendo discussões e despertando dúvidas. As mais difíceis estão relacionadas orientações sexuais menos convencionais como, por exemplo, a bissexualidade. Será que é mesmo possível que uma pessoa se sinta atraída pelos dois sexos ao mesmo tempo?
É até fácil entender a sexualidade dos homossexuais mais caricatos – as pessoas podem até não aceitar, mas entendem que eles realmente sentem atração por pessoas do mesmo sexo. Mas quando você expressa que sente atração pelos dois, os questionamentos sobre sua sexualidade vêm de todos os lados, da sociedade em geral, que tem, geralmente, pouca informação sobre o tema, e até de alguns homossexuais. O estudante Eduardo Miranda, por exemplo, acredita que bissexuais, especialmente os masculinos, são, na verdade, homossexuais querendo aprovação da sociedade.
Mas a bissexualidade é uma discussão séria, existem várias teorias sobre orientação sexual. Uma das mais populares é a Escala Kinsey, que lista sete níveis de sexualidade diferentes, não apenas a tríade homossexual – heterossexual – bissexual. Além disso, Alfred Kinsey fala que os níveis de sexualidade não são definitivos e que podem mudar em diferentes épocas da vida. O jornalista Márcio Galvão conta que só teve atração sexual por um outro homem quando tinha 19 anos. “Até então, só me relacionava com mulheres e era isso que me satisfazia”, ilustra Márcio, que hoje se considera bissexual.
A relações públicas Adriana Rocha, por outro lado, comenta que costumava ter relações homossexuais durante sua adolescência, define como uma fase de descoberta e um pouco de rebeldia, mas encara a situação de maneira muito leve, “Por mais que hoje eu só me sinta sexualmente atraída por homens, isso não exclui a possibilidade de eu me relacionar novamente com uma mulher”, completa.
A escala Kinsey não pode ser encarada como uma coisa funcional; até porque sair classificando o nível de sexualidade das pessoas seria muito complexo e, talvez, desnecessário. O importante dessa teoria é refletir se as orientações sexuais são mesmo assim tão restritas e defnitivas. Isso não significa admitir todas as pessoas como sexualmente flexíveis, mas é fato que algumas estão parando de encarar sua orientação sexual como uma coisa estanque e começando a se permitir cada vez mais.
*O nome dos entrevistados foram trocados para manter a privacidade dos mesmos.


