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Cine Mulher
20/05/2009

A duquesa - Drama que aborda o casamento sem amor

A duquesa - Drama que aborda o casamento sem amor

O drama do casamento sem amor e sustentado pela aparência social é atemporal, dramático e rende bons filmes, como o longa-metragem A Duquesa (The Duchess, 2008, Reino Unido/Itália/França). A história da nobre Georgina retrata muito bem a problemática de um casamento sustentado pelas aparências e honra. Qualquer semelhança com a vida da também inglesa Lady Di talvez não seja mera coincidência.

Baseado em fatos reais através dos relatos do livro de Amanda Foreman, "Georgiana, Duchess of Devonshire", o longa traz a vida da jovem Georgina(Keira Knightley), casada pela mãe aos 16 anos com William Cavendish, o duque de Devonshire (Ralph Fiennes) com o propósito único e maior de lhe dar um herdeiro homem. No elenco, somos apresentados nas primeiras cenas à Georgina, sonhadora que cogita ter amado de seu pretendente, mas sua mãe, Lady Spencer (vossa realeza, Charlotte Rampling) tem planos melhor de vida estável e aconselha a filha e enfrentar o casamento e as relações sexuais como “necessárias”. “Com um tempo estes momentos vão ser mais raros e desaparecer”, comenta a Sra. Spencer.
A trama gira em torno dos bastidores da vida de Georgina com o marido, homem peculiar. Com o intento apenas de gerar um herdeiro, o duque não mede esforços em engravidar sua esposa. Após duas meninas e dois nascimentos mortos, G, apelido dado pelo marido, consegue o intento, mas seu relacionamento já está totalmente fracassado e seu amor próprio em fragalhos. A personalidade apática e fria do duque rende boas falas e momentos de pura raiva dos que assistirem, principalmente no pagamento da 'recompensa' no nascimento do varão. Sem amor ao próximo, Wiliiam tem relações sexuais com empregados e até a melhor amiga da esposa, obrigando-a a conviver com a amante dentro da própria casa.

A Duquesa tem o seu valor histórico. Mergulha na vida da sociedade da época, talvez deixando alguns distantes da realidade por se focar no lado social nobre. Mas na construção do enredo, o diretor Saul Dibb teve a brilhante de idéia de tratar o fator econômico como coadjuvante, fazendo dos personagens o carro chefe e assim conseguir com sucesso aproximar público de personagem. Neste ponto, vale refletir se surtiria um bom resultado com o diretor contando a mesma trama por olhos de terceiros, sem focar na Georgina. Os movimentos de câmeras são perfeitos para interpretar que o filme é a vida única e exclusiva de G(apelido dado pelo duque), seus sentimentos e frustrações, quase uma narração em primeira pessoa.
Em filmes de época, é inegável o grande espetáculo de figurino e caracterização. Neste não poderia ser diferente, pois o verdadeiro show da equipe de arte fica no guarda roupa da Duquesa. O figurino mostra e evolução da menina inocente em mulher casada, influente no seu meio e depois amante e sofredora. O filme baseia-se como caracterização em jornais e caricaturas da época, retratrando a duquesa em diferentes momentos sociais. Uma excelente pesquisa para composição de personagem.

Estamos falando aqui do século 18, época de predominância machista, onde a única forma das mulheres mostrarem uma opinião era o vestuário, no qual a duquesa foi perpetuada na história como fashionista e lançadora de tendências. Em determinada cena, Georgina aparece usando penas na peruca, mas na cena seguinte todas usam as penas e ela já inova no figuro, lançando outro estilo com atacas e flores na cabeça.
Da pesquisa também saiu a brilhante idéia da iluminação natural. Muitas das locações do longa já foram usadas em filmes de época anteriores como Shakespeare Apaixonado e Eilzabeth. A equipe de fotografia ousou e usou na maioria das cenas velas, iluminação da época, deixando tudo mais natural e causando um excelente efeito realista, além de amenizar no visual, já estridente com tantas perucas e vertidos estufados com saias de armar.

As atuações estão sem sombra de dúvidas em parabenização. A inglesa Keira Knightley, queridinha de filmes de época como Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação, tem um rosto expressivo, crucial para um filme baseado em poucos diálogos (lembrando a época) e muita expressão facial. Ralph Fiennes, de sucessos como O Jardineiro Fiel e O Leitor, caiu como uma luva nas mãos do diretor: Um ator sério e com certeza do poder do seu olhar em sincronia perfeita com os dramas internos da personagem. Em entrevistas na época de lançamento, Ralph disse nao saber se aceitava o papel por nao ter muito o que fazer, pois o duque mal falava e quando o fazia não tinha emoção na voz, mas em gestos. O tom monocórnico de Ralph foi crucial neste ponto.

Ao contrário de muitos filmes de época, A Duquesa soube fazer o casamento entre romance, história e imagem com harmonia e evolução. Poderia ter sido melhor contando um pouco mais dos fatores psicológicos que levaram à duquesa à comportamentos destrutivos como uso de drogas, bebedeiras constantes e bulimia. Infeilzmente no Brasil caiu direto nas locadoras, por baixa bilheteria lá fora. Disponivel em DVD.

Ficha Técnica
Título Original: The Duchess
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 110 minutos
Ano de Lançamento (Itália / França / Inglaterra): 2008
Site Oficial: www.aduquesa.com.br
Estúdio: Paramount Vantage / Pathé / BBC Films / BIM Distribuzione / Qwerty Films / Magnolia Mae Films / Pathé Renn Productions
Distribuição: Paramount Vantage
Direção: Saul Dibb
Roteiro: Jeffrey Hatcher, Anders Thomas Jensen e Saul Dibb, baseado em livro de Amanda Foreman
Produção: Michael Kuhn e Gabrielle Tana
Música: Rachel Portman
Fotografia: Gyula Pados
Desenho de Produção: Michael Carlin
Direção de Arte: Karen Wakefield
Figurino: Michael O'Connor
Edição: Masahiro Hirakubo
Efeitos Especiais: Rainmaker


Categoria Categoria: Cine Mulher
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